[...] Ele se levanta e vai em direção a porta em que todos haviam saído.
Argemon: (num sobressalto) aonde você vai?
(nos olhos de Argemon a certeza de ter chateado Ele com seu atrevimento, Ele se iria para sempre)
Ele: Vou encostar a porta. (olhando Argemon por cima do seu próprio ombro. Sorri) Eu já me decidi!
(Engolindo em seco, Argemon sente todo seu sangue ficando frio)[...]
*o estardalhar de cacos de coração pelo (e por muito) tempo enrijecido.
Situações de valor restritamente fictícios,porém dotados de grandes propriedades factuais... :O)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Carta ao filho que se foi.
Ouro Preto,13 de outubro de 2010.
Filho amado
Faz um tempo em que me pego aflita a imaginar o porquê de seu silêncio, e a cada carta sua não recebida é mais uma certeza de que estás mal. Acredito que eu fui um dos motivos de sua ida, mas ainda assim quero que saiba que o que fiz foi sempre para seu bem.
Eu sempre quis mais que tudo te proteger. Você sabe que eu nunca iria deixar eles tocarem em um fio de cabelo seu, mesmo que usassem de força contra mim, seria força contra força, a minha contra a deles, e você sabe, filhinho que a força de sua mãe é como de leoa.
Mas mesmo assim você foi embora. Por favor mesmo que não volte, me responda, não me deixe a sós com minhas suposições... Você sabe que minha maior inimiga sempre fui eu mesma, defeito de família, sua avó também era assim, e só de cogitar a idéia de faltar alguma certeza sobre um assunto familiar dava cada pití, você se lembra?
Eu sei que nunca tive tanta certeza. Nem mesmo compreensão, o que as vezes deixava de lado a confiança. Mas você nunca pôde se queixar de inegligência, eu te mantive longe deles sempre que pude, na escola, na rua, e até mesmo dos que tinham na família, que apercebiam do seu jeito diferente.
Foi cuidando de ti que descobri, embora tarde que um dia haverá fraternidade. Eu acredito que eles um dia ainda te amarão, apesar de não te entenderem, sobretudo se não lhe compreenderem. Se hoje eles te batem, te humilham, te seduzem, te apedrejam, te usam e até mesmo se te matam, meu anjinho, é porque não te compreendem e não te aceitam. Mas também como amariam? Você sempre foi o mais bonito, o mais sensível e o mais inteligente.
Te amo e quero muito que você volte para casa. Para sua casa, do tamanho do meu coração, aqui pertinho onde possam bater juntos o seu e o meu, tranqüilos e de bem novamente. Nada nunca será como antes.
Donde você está, eles te observam, vigiam, eu sei, e Deus não permita que esteja tão vulnerável que eles possam enfim te pegar. Você não é como os outros que ficam por aí, você tem pelos seus e eu não deixo!
Toda vez que passo em frente ao seu antigo quarto, me lembro de você, sentado à cama me esperando te mandar fazer o dever... bate-me profunda angústia. Como eu queria novamente mandar em você. Daí não teria esforço em escrever cartas e esperar respostas, não teria que insistir te pedir para voltar, mas filho é como passarinho como dizem os poetas, logo que crescem querem alçar voo e construir seu próprio ninho. Não me importa que você construa seu ninho com outro passarinho e que não me dê netos passarinhos. Não mais.
Mas ainda é cedo, você ainda não aprendeu a voar sozinho. E eles estão por toda parte, esses filhos sem mãe, com suas insígnias e frases e blasfêmias, são uns mentirosos.
Volte filhinho, meu! Me deixe novamente feliz com sua presença, eu preciso do seu precisar de mim. Eu não tenho mais quem precise de mim senão você. Já não sou nada, e por favor me faça por um momento voltar a ser. Te juro que nunca mais serei como um deles. Em nenhuma maneira. Nunca.
Beijos, de sua Mamãe Querida.
Filho amado
Faz um tempo em que me pego aflita a imaginar o porquê de seu silêncio, e a cada carta sua não recebida é mais uma certeza de que estás mal. Acredito que eu fui um dos motivos de sua ida, mas ainda assim quero que saiba que o que fiz foi sempre para seu bem.
Eu sempre quis mais que tudo te proteger. Você sabe que eu nunca iria deixar eles tocarem em um fio de cabelo seu, mesmo que usassem de força contra mim, seria força contra força, a minha contra a deles, e você sabe, filhinho que a força de sua mãe é como de leoa.
Mas mesmo assim você foi embora. Por favor mesmo que não volte, me responda, não me deixe a sós com minhas suposições... Você sabe que minha maior inimiga sempre fui eu mesma, defeito de família, sua avó também era assim, e só de cogitar a idéia de faltar alguma certeza sobre um assunto familiar dava cada pití, você se lembra?
Eu sei que nunca tive tanta certeza. Nem mesmo compreensão, o que as vezes deixava de lado a confiança. Mas você nunca pôde se queixar de inegligência, eu te mantive longe deles sempre que pude, na escola, na rua, e até mesmo dos que tinham na família, que apercebiam do seu jeito diferente.
Foi cuidando de ti que descobri, embora tarde que um dia haverá fraternidade. Eu acredito que eles um dia ainda te amarão, apesar de não te entenderem, sobretudo se não lhe compreenderem. Se hoje eles te batem, te humilham, te seduzem, te apedrejam, te usam e até mesmo se te matam, meu anjinho, é porque não te compreendem e não te aceitam. Mas também como amariam? Você sempre foi o mais bonito, o mais sensível e o mais inteligente.
Te amo e quero muito que você volte para casa. Para sua casa, do tamanho do meu coração, aqui pertinho onde possam bater juntos o seu e o meu, tranqüilos e de bem novamente. Nada nunca será como antes.
Donde você está, eles te observam, vigiam, eu sei, e Deus não permita que esteja tão vulnerável que eles possam enfim te pegar. Você não é como os outros que ficam por aí, você tem pelos seus e eu não deixo!
Toda vez que passo em frente ao seu antigo quarto, me lembro de você, sentado à cama me esperando te mandar fazer o dever... bate-me profunda angústia. Como eu queria novamente mandar em você. Daí não teria esforço em escrever cartas e esperar respostas, não teria que insistir te pedir para voltar, mas filho é como passarinho como dizem os poetas, logo que crescem querem alçar voo e construir seu próprio ninho. Não me importa que você construa seu ninho com outro passarinho e que não me dê netos passarinhos. Não mais.
Mas ainda é cedo, você ainda não aprendeu a voar sozinho. E eles estão por toda parte, esses filhos sem mãe, com suas insígnias e frases e blasfêmias, são uns mentirosos.
Volte filhinho, meu! Me deixe novamente feliz com sua presença, eu preciso do seu precisar de mim. Eu não tenho mais quem precise de mim senão você. Já não sou nada, e por favor me faça por um momento voltar a ser. Te juro que nunca mais serei como um deles. Em nenhuma maneira. Nunca.
Beijos, de sua Mamãe Querida.
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